
As chuvas registradas entre os dias 5 e 8 de fevereiro em municípios do interior da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, extremo norte da Bahia, além do centro-norte do Maranhão e do Piauí, trouxeram alívio momentâneo após um mês de janeiro marcado por calor intenso e ausência de precipitações. Segundo o meteorologista, físico e consultor do agronegócio Rodrigo Cézar, os eventos estiveram associados à atuação de um vórtice ciclônico de altos níveis, sistema comum nesta época do ano no Nordeste.
De acordo com o especialista, as chuvas foram importantes, especialmente para a recarga de pequenos reservatórios, barreiros e riachos, que chegaram a transbordar em alguns municípios. No entanto, a distribuição foi bastante irregular, com diversas localidades sem registro significativo de precipitação, confirmando as previsões já indicadas anteriormente.
Rodrigo Cézar explica que, a partir do dia 9, a tendência é de redução considerável das chuvas em grande parte do interior dos estados atingidos. Até aproximadamente o dia 16, a previsão aponta para precipitações mais isoladas e com baixos volumes.
Em relação aos grandes reservatórios, o cenário inspira atenção. Para o Complexo Coremas–Mãe d’Água, a expectativa é de recarga inferior a 10% em 2026, o que representa menos de 129 milhões de metros cúbicos de água. Outras barragens da região, como Capoeira, Cachoeira dos Cegos, Engenheiro Arcoverde, Lagoa do Arroz e Capivara, devem ter recargas abaixo de 30%.
No Rio Grande do Norte, reservatórios estratégicos como o Itans também devem registrar recarga inferior a 30% neste ano, com volume estimado abaixo de 24 milhões de metros cúbicos.
O meteorologista reforça que a estação chuvosa de 2026 deverá ser marcada por forte irregularidade e volumes abaixo da média histórica. Em Patos, no Sertão da Paraíba, onde a média pluviométrica anual é de 715 milímetros, a projeção é de chuvas inferiores ao normal, mantendo o alerta para o abastecimento hídrico e o setor agropecuário da região.
Vídeo: Rodrigo Cézar