
Uma perspectiva positiva de chuvas para o Sertão nordestino a partir de março foi apresentada pelo meteorologista Dr. Mário de Miranda Vilas Boas Ramos Leitão durante entrevista ao programa Jornal da Manhã, da rádio Morada do Sol 105.9 FM. Apesar do cenário considerado favorável, o especialista pondera que as precipitações devem ocorrer de forma irregular, com pancadas isoladas de maior intensidade.
Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e coordenador do Laboratório de Meteorologia da instituição, Mário Leitão destacou que as previsões são atualizadas quase em tempo real no portal do LabMet, permitindo acompanhamento frequente das condições climáticas.
Durante a entrevista, o meteorologista também fez um alerta sobre os riscos de descargas elétricas, comuns no período chuvoso. Segundo ele, quanto mais próximo o som do trovão, maior a intensidade da movimentação da nuvem e o potencial do relâmpago, que pode atingir até 30 milhões de volts. A recomendação é evitar sair de casa durante tempestades e não se abrigar sob árvores.
Impacto nos mananciais
Ao analisar a situação hídrica de Patos e região, Leitão afirmou que o problema vai além da falta de chuvas. Para ele, a proliferação de pequenos açudes e barreiros nas bacias hidrográficas tem dificultado a chegada de água aos grandes reservatórios.
O especialista revelou que, em 2002, já existiam 82 açudes acima do Jatobá, número que atualmente ultrapassa 100. Esses reservatórios intermediários, segundo ele, retêm a água que deveria alimentar sistemas maiores como o próprio Jatobá, a Barragem da Farinha e o complexo Coremas/Mãe d’Água.
De acordo com o meteorologista, somente na bacia de Coremas mais de mil açudes foram construídos desde 2013, o que ajuda a explicar por que o principal manancial da Paraíba tem dificuldade para sangrar mesmo em anos de chuvas regulares.
Propostas
Diante do cenário, Mário Leitão defendeu mudanças na legislação para priorizar o abastecimento humano e evitar bloqueios no fluxo natural das águas. Como alternativa técnica, sugeriu a construção de reservatórios menores e mais profundos, além do desassoreamento dos açudes existentes.
Ele lembrou que o Açude Jatobá perde cerca de 58% do volume acumulado por evaporação e que reservatórios grandes e rasos tendem a registrar perdas ainda maiores. Segundo o especialista, garantir profundidade superior a três metros e reduzir o espelho d’água são medidas essenciais para aumentar a segurança hídrica no Sertão.