
Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o professor Expedito Filho assina um artigo especial publicado pelo portal Patos Verdade, trazendo uma reflexão sobre a presença e a importância da mulher ao longo da história da humanidade. No texto, o autor apresenta uma narrativa que percorre diferentes períodos históricos para destacar a força, a resistência e o papel fundamental das mulheres na construção da sociedade.
No artigo, Expedito Filho ressalta que, apesar das dificuldades, injustiças e períodos de exclusão enfrentados ao longo dos séculos, as mulheres permaneceram como protagonistas na preservação da vida, na transmissão do conhecimento e na transformação social. A publicação convida os leitores a refletirem sobre as conquistas femininas e a importância de reconhecer o valor das mulheres na construção de um mundo mais humano e justo.
Hoje eu quero contar uma história.
Mas não é uma história de vitimismo.
É uma história de testemunho.
Porque, se existe um ser que assistiu a história da humanidade de perto, esse ser foi a mulher.
Ela viu nascer as primeiras tribos, os primeiros mitos, os primeiros deuses, as primeiras cidades.
Enquanto impérios surgiam e caíam, guerras começavam e terminavam, reis eram coroados e derrubados… ela estava lá.
Nenhum ser humano viveu, carregou e testemunhou mais a história do que a mulher.
Nos primórdios da humanidade, quando os Homo sapiens ainda caminhavam entre o medo e a esperança, enfrentando o frio, a fome e a escuridão do mundo desconhecido, foi a mulher quem segurou a chama mais importante da espécie: a continuidade da vida.
Ao redor dela nasceram os primeiros cuidados, os primeiros laços, os primeiros gestos de humanidade.
Muitos estudos sugerem que as primeiras comunidades humanas tinham forte traço matriarcal, porque a sobrevivência girava em torno da maternidade, da proteção e da organização da vida.
Mas a história, tantas vezes admirada por sua grandeza, também carrega suas vergonhas.
Na Grécia, que ensinou ao mundo a filosofia e a democracia, a mulher quase não podia falar na vida pública.
Em Roma, viveu muitas vezes sob tutela e silêncio.
E na Idade Média, em um dos episódios mais sombrios da história humana, milhares foram acusadas de bruxaria e queimadas em fogueiras — vítimas do medo, da ignorância e da tentativa brutal de controlar mulheres que curavam, pensavam ou simplesmente ousavam existir fora das amarras de seu tempo.
Mesmo assim…
elas continuaram.
Governaram reinos.
Escreveram pensamentos.
Transmitiram saberes.
Criaram gerações inteiras.
Então veio a Revolução Francesa.
Quando o povo gritou por liberdade, igualdade e fraternidade, as mulheres também estavam nas ruas.
Marcharam, protestaram, exigiram direitos.
Algumas pagaram com a própria vida, como Olympe de Gouges, que ousou escrever que os direitos do homem também deveriam ser direitos da mulher.
No século XIX, elas lutaram com coragem quase impossível de imaginar.
Foram presas.
Ridicularizadas.
Silenciadas.
Mas não recuaram.
E então algo extraordinário começou a acontecer.
No século XX, lentamente, as portas começaram a se abrir.
As mulheres entraram nas universidades, nos hospitais, nas escolas, nos laboratórios, nos tribunais.
Elas passaram a ensinar gerações.
Descobrir remédios.
Escrever livros.
Construir pontes.
Interpretar leis.
Salvar vidas.
E no século XXI, já não havia mais como negar aquilo que sempre foi evidente.
Hoje as mulheres são professoras, médicas, engenheiras, cientistas, policiais, juízas, líderes políticas, atletas, árbitras de futebol, diretoras, empresárias e presidentes de nações.
Elas ocupam espaços que durante séculos lhes foram negados — e transformam esses espaços com inteligência, sensibilidade e força.
Mas toda conquista revela também as sombras da humanidade.
Ainda existe violência.
Ainda existe desprezo.
Ainda existe quem tente diminuir a mulher, silenciar sua voz ou destruir sua imagem.
Há quem se sinta ameaçado por sua liberdade.
Há quem transforme insegurança em agressividade.
Há quem ataque aquilo que não consegue compreender: a força feminina.
E talvez uma das maiores ironias da história seja esta:
muitos daqueles que desprezam as mulheres foram criados, alimentados e protegidos por uma.
Maltratá-las, diminuí-las ou violentá-las não é apenas injustiça —
é uma das formas mais profundas de ingratidão humana.
Mas a história mudou.
Hoje as mulheres não são mais apenas vítimas da história.
Hoje elas são testemunhas conscientes, promotoras da mudança e juízas do seu próprio tempo.
E muitos de nós — os que ainda acreditam na dignidade humana — sabemos que isso não é uma ameaça.
É um avanço civilizatório.
Mas talvez o mais impressionante em toda essa jornada seja outra coisa.
Apesar das fogueiras…
das prisões…
das humilhações…
das lutas…
das injustiças…
elas sobreviveram.
E mais do que isso.
Nunca abandonaram aquilo que talvez seja o gesto mais poderoso da humanidade.
Mesmo diante da dor, continuaram gerando vida.
Continuaram educando.
Continuaram cuidando.
Continuaram ensinando o mundo a amar.
Enquanto a história muitas vezes produziu guerras, violência e destruição,
elas continuaram produzindo vida, luz e esperança.
Talvez por isso a mulher seja uma das maiores forças da humanidade.
Porque mesmo depois de tudo que enfrentou…
ela não se tornou ódio.
Ela continuou sendo amor.
Parabéns a vocês, mulheres,
os seres que atravessaram toda a história humana
e continuam oferecendo ao mundo seu milagre mais bonito:
A vida, A luz e O amor.
Espedito Filho, SEU FILHO.