
O mês de março deve registrar chuvas variando entre a média histórica e volumes abaixo do esperado em Patos e em grande parte do interior da Paraíba. A previsão é do consultor meteorológico do agronegócio, Rodrigo César Limeira, que também chama atenção para a irregularidade das precipitações e a baixa recarga dos principais reservatórios da região.
De acordo com o especialista, a tendência para a quadra chuvosa de 2026 já havia sido apontada como desfavorável para áreas do Sertão da Paraíba, além de partes de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. “Nós tínhamos indicado que a quadra chuvosa neste ano seria de chuva abaixo da média em grande parte dessas regiões. Alguns locais, como Sousa e Cajazeiras, podem até ter índices mais significativos, mas a maior parte do interior paraibano deve registrar volumes menores”, explicou.
Em Patos, a média histórica de chuva para o mês de março é de aproximadamente 208 milímetros, conforme dados do posto pluviométrico da Empaer. Segundo Limeira, a expectativa é que o acumulado fique nesse patamar ou abaixo dele ao longo do mês.
Ele ressalta que a irregularidade das chuvas pode afetar diretamente a produção agrícola, especialmente as lavouras de milho, já que a precipitação tende a ocorrer de forma mal distribuída. “Em alguns locais chove bem, enquanto em outros praticamente não há recarga. Há casos de comunidades rurais onde os barreiros ainda não receberam água suficiente”, destacou.
Apesar das chuvas registradas entre o início de fevereiro e o começo de março terem contribuído para o enchimento de pequenos reservatórios, o cenário para os grandes mananciais do Sertão segue limitado. Segundo o consultor, as recargas observadas até agora estão bem abaixo das projeções para diversos reservatórios importantes da região.
Entre os exemplos citados estão o complexo Coremas–Mãe d’Água, com recarga em torno de 4% até o momento; a barragem de Capoeira, com cerca de 3%; e o açude Cachoeira dos Cegos, que registra aproximadamente 6%. Outros reservatórios, como Engenheiro Arcoverde, Capivara e Lagoa do Arroz, também apresentam volumes de recarga ainda reduzidos.
Para os próximos dias, a tendência é de continuidade das chuvas irregulares. “Não indicamos diretamente uma precipitação significativa para Patos. Pode acontecer, mas com as condições do Atlântico Sul desfavoráveis, as chuvas ficam muito mal distribuídas. Pode chover em uma cidade e na vizinha praticamente não cair nada”, afirmou.
Ainda segundo Rodrigo César Limeira, um cenário um pouco mais favorável para ocorrência de chuvas pode surgir entre os dias 15 e 20 de março, embora a expectativa geral continue sendo de precipitações irregulares em grande parte do Cariri, Sertão e Alto Sertão da Paraíba.
Vídeo: Rodrigo Cézar