
A morte de uma mulher após consumir alimentos em uma pizzaria na cidade de Pombal, no Sertão paraibano, segue cercada de dúvidas. De acordo com o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal, a necropsia inicial não identificou sinais clássicos de intoxicação no corpo da vítima.
Segundo o diretor do Numol de Cajazeiras, Luis Rustenis, foram coletadas amostras biológicas para exames toxicológicos, que devem esclarecer se houve ingestão de alguma substância que possa ter causado a morte.
“Durante a necropsia, não foi evidenciado sinal clássico de intoxicação. Solicitamos exames toxicológicos e fizemos a coleta de material biológico para investigar substâncias externas que possam ter relação com o caso. Se houve ingestão, isso deve aparecer no resultado”, explicou.
Os laudos devem ser concluídos em até 10 dias, conforme prevê o Código de Processo Penal, embora o prazo possa ser ampliado diante da complexidade da investigação. Após a finalização, o material será encaminhado às autoridades policiais.
Paralelamente, a Polícia Civil da Paraíba instaurou inquérito para apurar não apenas a morte da mulher, mas também um surto que deixou mais de 100 pessoas com sintomas de intoxicação alimentar após frequentarem o mesmo estabelecimento.
De acordo com o delegado Rodrigo Barbosa, dois crimes estão sendo investigados. O primeiro é o de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, relacionado à morte da cliente.
“A morte dela passa a ser considerada um possível homicídio culposo. Precisamos esclarecer o que aconteceu com base nos alimentos utilizados e identificar uma possível contaminação”, afirmou.
O segundo ponto da investigação envolve o crime de comercialização de alimento impróprio para consumo, previsto na Lei nº 8.137/1990. A legislação prevê pena de detenção de dois a cinco anos ou multa para quem vender ou fornecer produtos inadequados.
“A principal linha de investigação é o consumo de alimento impróprio. O mais importante agora é identificar o que causou as intoxicações. Havendo negligência, os responsáveis podem responder criminalmente, sejam proprietários ou vendedores”, completou o delegado.
A conclusão dos exames toxicológicos e das análises laboratoriais deve ser fundamental para esclarecer o caso, que segue sob investigação.