
Na manhã desta quinta-feira, 28 de agosto, a Rua Pedro Firmino, no centro de Patos, foi palco de um ato público em repúdio ao feminicídio e à violência contra a mulher. A manifestação, organizada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), reuniu estudantes, professores, representantes de universidades, movimentos sociais, familiares de vítimas e autoridades do Poder Judiciário.
A presidente do CMDM, Samara Oliveira, destacou a importância da mobilização para dar visibilidade à luta por políticas públicas efetivas e pelo fim da violência de gênero:
“Foi um ato muito importante. Tivemos escolas, universidades como a UFCG e a UNIFIP, coordenadores de cursos, movimentos sociais, e quase todos os Conselhos presentes, além do CRAM, que atende mulheres vítimas de violência. Momentos como esse mostram nossa voz e reforçam que estamos vigilantes e não vamos parar até que as políticas públicas sejam implantadas e efetivadas. Não aceitamos mais nenhuma mulher a menos”, afirmou Samara.
Durante o ato, familiares de vítimas também cobraram celeridade da Justiça. Alessandra Nunes, uma das filhas de Francienete Nunes dos Santos, assassinada pelo ex-companheiro em maio de 2024, desabafou sobre a dor da perda e a demora nos processos judiciais:
“Esse ato é de extrema importância para a gente, porque além da dor da perda, ainda temos que lidar com a injustiça. O caso da minha mãe ainda não foi a júri, e já faz um ano e meio. É muito difícil chegar em casa e não ter resposta para dar aos meus avós. É uma dor que não acaba”, lamentou.
A juíza Isabella Joseane Assunção Lopes de Souza ressaltou que manifestações como essa ajudam a pressionar por mudanças estruturais e a conscientizar a sociedade:
“A Justiça vê com bons olhos esse tipo de manifestação. É um alerta para mulheres e homens. Muitas vezes perguntam por que tantas campanhas se os números não diminuem, mas elas vão além dos números. Essas lutas já resultaram em avanços, como o feminicídio ser hoje um crime autônomo, com penas mais severas. Esses movimentos dão visibilidade, sensibilizam e cobram do Judiciário mais agilidade no julgamento desses casos”, afirmou a magistrada.
Além de homenagear vítimas e exigir justiça, o ato reforçou reivindicações importantes, como a implantação de uma Delegacia da Mulher funcionando 24 horas no centro da cidade, com estrutura adequada e atendimento humanizado.
O evento encerrou com um chamado coletivo para que a sociedade continue mobilizada, cobrando das autoridades políticas públicas efetivas e uma cultura de respeito, segurança e proteção às mulheres.