
Advogadas do Núcleo Jurídico de Apoio às Mulheres em Vulnerabilidade Social e Vítimas de Violência Doméstica e Familiar de Patos participaram, na última semana, de uma reunião com o advogado e relações públicas da AMIB (Associação de Mobilização, Impacto Social, Ambiental e dos Direitos Básicos) e da APEA (Associação dos Pequenos Escritórios de Advocacia e Advogados Autônomos), Sávio Salvador, para discutir os impactos do chamado “Golpe do Falso Advogado”, que tem feito vítimas em todo o país, inclusive no município.
Durante o encontro, realizado em formato de café da manhã, as advogadas relataram a realidade preocupante de Patos, onde diversos cidadãos foram enganados e chegaram a repassar altas quantias em dinheiro a criminosos que se passavam por profissionais da advocacia.
Sávio ouviu os relatos e apresentou as ações que vêm sendo tomadas pela AMIB para conter o avanço desse tipo de fraude. A entidade ingressou com uma Ação Civil Pública na Justiça da Paraíba contra a Meta (Facebook e WhatsApp) e as operadoras Vivo, Claro e TIM, exigindo maior responsabilidade das plataformas e empresas de telecomunicação na prevenção de golpes digitais.
Como resultado, a Justiça concedeu uma tutela de urgência inédita no país, determinando que as empresas adotem medidas concretas de segurança digital, entre elas:
remoção imediata de perfis falsos em até 24 horas após denúncia;
criação de canais exclusivos para denúncias e relatórios mensais de transparência;
uso de inteligência artificial para detectar fraudes e verificar identidades;
bloqueio preventivo de anúncios fraudulentos;
verificação biométrica e cruzamento de dados na ativação de novas linhas telefônicas.
Para Sávio Salvador, a decisão representa um marco no combate aos crimes virtuais e à proteção da sociedade.
“A Justiça da Paraíba traçou uma linha divisória no combate aos crimes digitais, estabelecendo um novo padrão de responsabilidade e transparência para gigantes da tecnologia, em defesa da sociedade, da advocacia e da verdade digital”, afirmou.
O advogado destacou ainda a importância de que profissionais da advocacia e instituições públicas e privadas atuem de forma integrada para conter o golpe, que já prejudicou milhares de vítimas em todo o país.
“A realidade de Patos é a mesma de muitas cidades brasileiras. O caminho é unir esforços, ouvir as vítimas e construir soluções que impeçam novas fraudes”, completou.
O Golpe do Falso Advogado consiste em uma fraude sofisticada na qual criminosos usam perfis falsos no WhatsApp e linhas telefônicas clonadas para se passar por advogados legítimos. Utilizando dados reais de processos e informações públicas, eles enganam as vítimas e as convencem a realizar transferências bancárias sob a justificativa de custas, acordos ou honorários.
A prática, além de causar prejuízos financeiros, coloca em risco a credibilidade da advocacia e do próprio sistema de justiça, o que torna urgente a adoção de medidas eficazes de segurança digital e conscientização da população.
