
A Câmara dos Deputados decidiu, nesta quarta-feira (10), suspender por seis meses o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). A proposta de punição alternativa foi aprovada por 318 votos a 141, com três abstenções, evitando a cassação e mantendo os direitos políticos do parlamentar.
Glauber foi acusado de agredir, em abril do ano passado, o integrante do MBL Gabriel Costenaro. A cassação exigiria ao menos 257 votos, mas uma preferência aprovada no plenário substituiu a perda do mandato pela suspensão. Diante do cenário apertado, deputados favoráveis à cassação apoiaram a punição alternativa para evitar eventual absolvição.
A suspensão foi sugerida por Lindbergh Farias (PT-RJ) e recebeu apoio de partidos como PSD e MDB. Parlamentares defenderam que, embora Glauber tenha errado e violado o Código de Ética, a cassação seria medida desproporcional. Já o relator Paulo Magalhães (PSD-BA) reiterou que o Conselho de Ética e a CCJ já haviam recomendado a perda do mandato.
Em discurso emocionado, Glauber afirmou ter reagido após ofensas à sua mãe, internada na UTI à época. Aliados disseram que não havia fundamentos para cassação, enquanto opositores, como Kim Kataguiri (União-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), defenderam a perda do mandato.
Na véspera, Glauber ocupou a cadeira da presidência da Câmara em protesto contra o avanço do processo e foi retirado à força por agentes da Polícia Legislativa.
O Conselho de Ética havia aprovado, em abril, o parecer pela cassação por quebra de decoro. O deputado afirmou que reagiu após provocações sucessivas durante manifestação no Congresso.