
A Câmara dos Deputados rejeitou, nesta quarta-feira (10), a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Foram 227 votos a favor da perda de mandato e 110 contra, além de 10 abstenções — abaixo dos 257 votos exigidos. Com isso, o processo será arquivado.
Zambelli foi condenada em definitivo pelo STF a dez anos de reclusão por envolvimento na invasão dos sistemas do CNJ e está presa na Itália, enquanto aguarda extradição. A CCJ havia aprovado parecer do deputado Claudio Cajado (PP-BA) recomendando a cassação, argumentando que o encarceramento em regime fechado é incompatível com o exercício do mandato.
O caso envolveu a inserção de documentos falsos nos sistemas do CNJ, atribuída ao hacker Walter Delgatti Neto, com participação instigada por Zambelli, segundo a decisão do Supremo.
A relatoria inicial na CCJ, do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), recomendava a manutenção do mandato, alegando fragilidade nas provas e contradições nos depoimentos. A defesa também sustentou que a condenação se baseou em relatos inconsistentes de Delgatti.
Durante o debate em plenário, houve divergência sobre o papel da Câmara no processo. Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que a perda do mandato deveria ter sido declarada administrativamente, enquanto aliados do PL defenderam que a Mesa poderia decidir futuramente com base nas faltas registradas pela deputada.
A oposição, por sua vez, classificou a cassação como injusta. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, defendeu que o tema fosse resolvido pela Mesa Diretora. A minoria, representada por Chris Tonietto (PL-RJ), afirmou que negar o mandato perpetuaria uma injustiça.