
A professora doutora Ludmila Ribeiro, uma das maiores pesquisadoras da área de segurança pública do Brasil, esteve na Paraíba para ministrar uma palestra e fez elogios enfáticos à atuação da Polícia Civil paraibana, especialmente no enfrentamento aos crimes mais graves. Segundo a pesquisadora, o estado apresenta um modelo de investigação que se destaca no cenário nacional e já se aproxima das melhores práticas internacionais.
Durante sua fala, Ludmila ressaltou que a Paraíba alcançou elevadas taxas de elucidação de homicídios sem depender majoritariamente da prisão em flagrante, diferentemente do que ocorre na maioria dos estados brasileiros. “Vocês conseguiram construir altas taxas de elucidação com investigações consistentes, feitas muitas vezes a posteriori, como acontece no cenário internacional”, afirmou.
A pesquisadora destacou que, nos demais 26 estados da federação, a elucidação dos crimes está fortemente ligada à prisão em flagrante. Na Paraíba, porém, o sucesso se deve à produção de provas sólidas de autoria e materialidade, permitindo prisões preventivas bem fundamentadas. Para Ludmila, esse modelo evidencia uma polícia orientada pela técnica e pela inteligência investigativa.
Outro ponto enfatizado foi a construção de um banco de dados considerado único no país. Segundo a professora, em poucos anos a Paraíba deverá ser o único estado brasileiro a dispor de uma base de dados capaz de sustentar análises hoje realizadas apenas nos Estados Unidos e na Europa. “O Instituto Sou da Paz, que tem ampla cobertura nacional, vai poder afirmar que só a Paraíba possui um banco de dados dessa natureza”, declarou.
Ludmila Ribeiro também alertou para a fragilidade de muitos flagrantes realizados no calor dos fatos e defendeu o investimento contínuo em investigação qualificada. Para ela, a experiência paraibana demonstra, na prática, o que os estudos internacionais apontam como uma boa polícia: aquela que não se limita à resposta imediata, mas se apoia em dados, método e análise aprofundada.
Ao encerrar, a pesquisadora reforçou a importância de valorizar e utilizar as informações já produzidas. “Usem os dados que vocês estão construindo. Com certeza, as decisões serão mais acertadas e vocês poderão mostrar ao restante do Brasil por que a Paraíba tem taxas de elucidação tão elevadas”, concluiu.
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