
A decisão da Copa Intercontinental terminou sem o título, mas não sem significado para o Flamengo. Na noite desta quarta-feira, 17, no Estádio Ahmad bin Ali, no Catar, o Rubro-Negro enfrentou o Paris Saint-Germain em uma final da Copa Intercontinental marcada pelo equilíbrio, pela entrega e pela resistência. O empate em 1 a 1 no tempo regulamentar levou a decisão para as penalidades, onde o PSG foi mais eficiente e ficou com a taça.
O resultado, no entanto, não resume o que foi vivido em campo e fora dele. O Flamengo esteve inteiro, competitivo, sustentado por uma nação que empurrou o time até o último instante. A derrota nos pênaltis transforma-se em “quase”, palavra que dói, mas também educa, fortalece e mantém acesa a chama rubro-negra.
É a partir desse sentimento que o professor Espedito Filho constrói sua reflexão: um Flamengo que vai além do placar, que se alimenta da alma popular, da resistência cotidiana e do amor que não depende de promessas ou conquistas imediatas. O título escapou, mas o que permanece é maior — o povo, o manto e a certeza de que, mesmo no quase, o Flamengo segue imenso.
FLAMENGO — O QUASE, O TODO E O POVO
Não escrevo com tristeza.
Escrevo com o coração apertado pelo quase,
esse quase que dói,
mas também ensina.
Não foi o tudo por tão pouco,
mas foi alma por inteiro.
Foram milhões de corações batendo juntos,
um grito só,
uma esperança em pé.
De peito aberto eu digo:
tenho mais orgulho do que nunca
de ser rubro-negro.
Do asfalto queimado,
do morro resistente,
de Deus que sustenta
e do povo que nunca solta a mão.
O que passou não nos fere,
nos alimenta.
Vira força,
vira amanhã.
Os guerreiros de hoje merecem aplausos —
os do campo, sim,
mas principalmente os do povo,
os que acordam cedo,
os que caem e levantam,
os que acreditam mesmo cansados.
Porque os deuses do Flamengo
não vestem chuteiras.
Eles andam nas ruas,
moram nas dificuldades,
correm na vida dura.
Somos chamados de favela,
de mulambada,
sem perceberem
que é ali que mora a chama,
o espírito,
a eternidade do futebol.
E que fique gravado:
não somos jogo do bicho
que promete riqueza,
nem religião
que promete salvação.
Somos apenas
amor que não se explica.
Vestimos um manto
que vale mais que títulos,
mais que glória vazia,
mais que promessas.
Há tempos não somos só uma nação.
Porque nação é conceito.
O povo é Flamengo.
E mesmo no quase,
saímos imensos.
Te amo, meu Mengão.
Porque você não nos promete.
Você nos pertence.
Espedito Filho
FLAPATOS