
Países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) ficaram divididos nesta terça-feira (6) durante reunião extraordinária do Conselho Permanente que discutiu a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. O encontro evidenciou a forte polarização política no continente e terminou sem negociações formais, documentos ou decisões oficiais.
Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, alinhados a Washington, defenderam a intervenção norte-americana em Caracas, classificando a operação como uma ação contra o narcoterrorismo e a ditadura venezuelana. Já Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras se posicionaram contra a ofensiva, condenando os bombardeios e o sequestro do presidente, além de reforçarem a defesa da soberania nacional e do diálogo diplomático.
Apesar de ser membro da OEA, a Venezuela não teve direito a manifestação oficial durante a reunião, reflexo do impasse institucional que se arrasta desde 2017, quando o governo Maduro anunciou a saída da organização. O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, evitou um posicionamento direto sobre a ação dos EUA, defendeu o respeito ao direito internacional e reiterou apoio a uma transição democrática na Venezuela.
A reunião também expôs o embate geopolítico entre Estados Unidos e China. O embaixador norte-americano acusou Pequim de buscar influência sobre os recursos venezuelanos, enquanto a representante chinesa rebateu, classificando as declarações como falsas e condenando o uso da força contra um Estado soberano.