
O Sertão paraibano deu um passo decisivo para o fortalecimento de suas expressões culturais neste sábado (17), com a realização do 1º Fórum Regional de Pontos de Cultura do Sertão, em Patos. O evento, sediado no Centro Cultural Amaury de Carvalho, reuniu representantes de diversos territórios e oficializou a criação da Rede Sertão Cultura Viva, iniciativa que busca ampliar a articulação e a visibilidade das ações culturais no interior do Estado.
Organizado pelo Pontão Coletivo Derréis, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (SECULTE), o fórum foi avaliado pelos participantes como um momento histórico para a política Cultura Viva na Paraíba. Ao longo do dia, 81 participantes — entre fazedores de cultura, gestores e articuladores — debateram políticas públicas, sustentabilidade dos projetos culturais e estratégias de fortalecimento da rede estadual.
A diversidade foi um dos destaques do encontro. Ao todo, 28 Pontos de Cultura estiveram representados, abrangendo áreas como artesanato, música, tradições orais e audiovisual, com participação de 14 municípios do Sertão e representantes de seis regionais de cultura, ampliando o diálogo institucional.
Para os organizadores, o fórum simbolizou mais do que um espaço de debate. “Este fórum é um divisor de águas. Reunir 14 municípios aqui em Patos mostra que o Sertão é um território produtor de cultura, que precisa e merece políticas públicas específicas”, destacou um dos articuladores presentes.
Durante a programação, os participantes discutiram o tema “Pontos de Cultura pela justiça climática”, ressaltando a intersetorialidade da gestão pública e o papel da educação como base para o desenvolvimento humano e social. Também foram definidos encaminhamentos práticos, como a escolha do Comitê Gestor da Rede Sertão Cultura Viva, a indicação de representantes para a Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, além de nomes que irão representar o Sertão na 6ª Teia e no Fórum Nacional.
Eleita para a coordenação da Rede Sertão, Perla Alves, do Pontão Coletivo Derréis, destacou o caráter coletivo da iniciativa. Segundo ela, a articulação surge da necessidade de unir forças em um território historicamente invisibilizado, reforçando a resistência, a resiliência e a busca por transformação estrutural nas políticas culturais do Estado.
O encerramento do fórum foi marcado por um clima de pertencimento e expectativa. Para os participantes, a criação da Rede Sertão Cultura Viva representa o início de uma nova etapa, em que o Sertão assume, de forma organizada, o papel de protagonista na cena cultural paraibana.