
A Câmara Municipal de Patos sediou, na noite desta segunda-feira (27), uma audiência pública que marcou o encerramento da programação do mês de conscientização do autismo no município. Com o tema “Onde dói o autismo na minha família”, o encontro reuniu autoridades, profissionais de saúde, educadores e pais para discutir os desafios enfrentados por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus cuidadores.
O debate foi marcado por relatos emocionantes que evidenciaram as chamadas “dores invisíveis” do autismo, como o preconceito, o desgaste emocional das famílias e a dificuldade de acesso a profissionais especializados. Um dos momentos mais impactantes foi o depoimento do padre Rodrigo Trindade diagnosticado na vida adulta, que destacou as barreiras enfrentadas ao longo da vida sem o devido acompanhamento.
Entre os principais pontos levantados, estiveram as dificuldades desde o diagnóstico, muitas vezes demorado, até a rotina intensa de terapias e a limitação no acesso a serviços como o Centro Especializado em Reabilitação (CER) e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). A escassez de profissionais, como fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, também foi apontada como um dos principais entraves.
A sobrecarga dos cuidadores, especialmente das mães, foi outro tema recorrente, assim como o preconceito social e os desafios no ambiente escolar, que ainda exige maior preparo técnico e sensibilidade para garantir uma inclusão efetiva.
Durante a audiência, representantes da gestão municipal apresentaram avanços na educação inclusiva, como a ampliação do número de profissionais de apoio, a entrega de abafadores de ruído para alunos com hipersensibilidade auditiva e o fortalecimento das Salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Apesar disso, foi reforçado que a inclusão vai além da estrutura física, exigindo qualificação contínua e mudança de postura.
Na área da saúde, a implantação da Casa do Autista foi destacada como uma das principais demandas, embora ainda enfrente dificuldades devido à falta de profissionais com formação específica. Também foram discutidas ações de apoio às famílias, incluindo programas voltados às mães atípicas e a necessidade de orientação sobre benefícios sociais.
Ao final, a audiência serviu como um chamado para que o poder público avance na implementação de políticas mais eficazes, garantindo não apenas acesso a serviços, mas dignidade, acolhimento e melhores perspectivas de futuro para pessoas com autismo e suas famílias.



















