
Nem todo espetáculo acontece sob os refletores. Há histórias que se revelam longe do brilho dos palcos, onde o silêncio do sertão fala mais alto que qualquer aplauso. É nesse cenário — o chão batido, o roçado aberto ao sol e o horizonte sem cercas — que o fotógrafo Aloísio Abrantes lança seu olhar atento e sensível para contar a história de Jalison Bento Tavares.
As imagens captadas no Sítio Angicos 2, zona rural do município de Ibiara, no Sertão da Paraíba, mostram um artista em estado de verdade. Jalison é músico por vocação, viajante por escolha e sonhador por natureza. Mas é na terra onde nasceu que ele encontra descanso para o corpo e cura para a alma. Quando o asfalto pesa e o mundo acelera demais, é para o sertão que ele retorna.
O ensaio fotográfico de Aloísio Abrantes — outro talentoso sertanejo que traduz o Nordeste por meio da lente — vai além do registro estético. Ele documenta uma volta para casa. Nas fotografias, Jalison aparece na lida diária, lidando com a terra, colhendo o que planta, vivendo a simplicidade de quem aprendeu cedo que a sobrevivência também é um ato de resistência.
Aqui, ele não cultiva apenas o alimento. Cultiva memória, identidade e força. Cada gesto no roçado carrega uma herança passada de geração em geração. Agricultor por herança, músico por destino. A música que Jalison leva para o mundo nasce desse suor, dessa vivência crua e honesta, onde a alegria não depende de plateia, mas da colheita do dia.
Segundo o olhar de Aloísio Abrantes, o que se vê nessas imagens é um artista em seu momento mais íntimo: longe dos palcos, perto de si mesmo. A casa simples, o chão de terra e a rotina dura revelam um homem que semeia esperança antes mesmo de transformá-la em canção. Cada fotografia é um testemunho de que a arte também nasce do silêncio e da simplicidade.
A reportagem especial do Portal PatosVerdade é, acima de tudo, uma homenagem. Ao músico que, antes de ser som, é semente. E ao fotógrafo Aloísio Abrantes, que com olhar sertanejo e sensível, transforma o cotidiano do sertão em narrativa visual, mostrando que a maior riqueza do Nordeste continua sendo o seu povo e suas histórias.










