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Entre o silêncio do sertão e o som da alma, a vida de Jalison Bento Tavares longe dos palcos

No Sítio Ingicos 2, em Ibiara, o fotógrafo Aloísio Abrantes revela o retorno do músico à terra que cura, alimenta e transforma suor em canção.

Por: Airton Alves Fonte: Da Redação com Aloísio Abrantes
13/01/2026 às 06h00 Atualizada em 13/01/2026 às 06h29
Entre o silêncio do sertão e o som da alma, a vida de Jalison Bento Tavares longe dos palcos
Foto: Aloisio Abrantes

Nem todo espetáculo acontece sob os refletores. Há histórias que se revelam longe do brilho dos palcos, onde o silêncio do sertão fala mais alto que qualquer aplauso. É nesse cenário — o chão batido, o roçado aberto ao sol e o horizonte sem cercas — que o fotógrafo Aloísio Abrantes lança seu olhar atento e sensível para contar a história de Jalison Bento Tavares.

As imagens captadas no Sítio Angicos 2, zona rural do município de Ibiara, no Sertão da Paraíba, mostram um artista em estado de verdade. Jalison é músico por vocação, viajante por escolha e sonhador por natureza. Mas é na terra onde nasceu que ele encontra descanso para o corpo e cura para a alma. Quando o asfalto pesa e o mundo acelera demais, é para o sertão que ele retorna.

O ensaio fotográfico de Aloísio Abrantes — outro talentoso sertanejo que traduz o Nordeste por meio da lente — vai além do registro estético. Ele documenta uma volta para casa. Nas fotografias, Jalison aparece na lida diária, lidando com a terra, colhendo o que planta, vivendo a simplicidade de quem aprendeu cedo que a sobrevivência também é um ato de resistência.

Aqui, ele não cultiva apenas o alimento. Cultiva memória, identidade e força. Cada gesto no roçado carrega uma herança passada de geração em geração. Agricultor por herança, músico por destino. A música que Jalison leva para o mundo nasce desse suor, dessa vivência crua e honesta, onde a alegria não depende de plateia, mas da colheita do dia.

Segundo o olhar de Aloísio Abrantes, o que se vê nessas imagens é um artista em seu momento mais íntimo: longe dos palcos, perto de si mesmo. A casa simples, o chão de terra e a rotina dura revelam um homem que semeia esperança antes mesmo de transformá-la em canção. Cada fotografia é um testemunho de que a arte também nasce do silêncio e da simplicidade.

A reportagem especial do Portal PatosVerdade é, acima de tudo, uma homenagem. Ao músico que, antes de ser som, é semente. E ao fotógrafo Aloísio Abrantes, que com olhar sertanejo e sensível, transforma o cotidiano do sertão em narrativa visual, mostrando que a maior riqueza do Nordeste continua sendo o seu povo e suas histórias.

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