
O Feminino que Sustenta o Mundo
Há dias que pertencem ao calendário.
E há dias que pertencem à alma humana.
O Dia das Mães não é apenas uma homenagem às mulheres que geraram filhos. É um instante raro em que o mundo deveria parar para reconhecer a força silenciosa do feminino — essa energia antiga que sustenta a vida, consola a dor e ensina a humanidade a continuar existindo.
Talvez não seja coincidência que tantas palavras ligadas à existência sejam femininas: terra, natureza, esperança, fertilidade, vida. Todas carregam em si a ideia de acolhimento, permanência e criação. Como se o próprio idioma tivesse entendido, há muito tempo, que o mundo cresce através daquilo que o feminino toca.
Existe algo de divino nisso.
Porque o amor que guia sem exigir recompensa, o cuidado que permanece mesmo diante do cansaço e a ternura que resiste em meio ao caos parecem ser a forma mais próxima de eternidade que conhecemos.
Sou cria de uma Laura.
Forte, eficaz, imensa em caráter e presença. Dessas mulheres que não apenas criam filhos, mas formam consciências, sustentam famílias e deixam marcas profundas na alma daqueles que passam por suas vidas.
E hoje caminho ao lado de uma Wilma.
Uma mulher que cuida, acolhe, conduz e transforma o cotidiano em abrigo. Dessas presenças raras que fazem da vida algo menos duro e do amor algo concreto.
Por isso, sorte daqueles que possuem uma referência feminina verdadeira. Porque é nelas que frequentemente encontramos a expressão mais pura do amor humano.
Mas em meio a essa homenagem existe também uma dor que precisa ser dita.
Vivemos um tempo em que muitas Lauras e Wilmas estão sendo transformadas em verdadeiras Joanas d’Arc modernas: mulheres queimadas não em fogueiras de madeira, mas em tribunais digitais, vítimas da misoginia, da humilhação covarde, da violência verbal e do desprezo cotidiano.
É assustador perceber como ainda atacamos justamente aquelas que cuidam, preservam e mantêm o tecido emocional do mundo de pé.
Cuidar das mulheres não deveria ser tratado como favor, gentileza ou compaixão.
É um dever civilizatório. Evolutivo. Humano.
Porque um mundo que desrespeita suas mulheres destrói lentamente sua própria capacidade de amar, educar e existir.
Que neste Dia das Mães o céu e a Terra silenciem por alguns instantes.
E que a humanidade se lembre de agradecer verdadeiramente àquelas que nos deram não apenas a vida, mas também a capacidade de sentir, sonhar e permanecer.
Amar as mulheres que nos sustentam é, talvez, a forma mais honesta de agradecer pela eternidade que recebemos delas.