
O fenômeno El Niño deve estar oficialmente configurado entre os meses de julho e agosto e já começa a influenciar o comportamento climático global, com previsão de temperaturas acima da média em diversas áreas, incluindo o interior do Nordeste. A análise é do consultor meteorológico do agronegócio, Rodrigo Cézar Limeira.
Segundo o especialista, a principal certeza neste momento é a tendência de aumento das temperaturas nos próximos meses. “Com o El Niño configurado entre julho e agosto, a perspectiva é de temperatura acima da média já a partir do mês de julho, em grande parte aqui do interior do Nordeste”, explicou.
Rodrigo destaca que a intensidade do fenômeno será um fator determinante para os impactos climáticos, mas ressalta que ainda é cedo para afirmar como será o comportamento das chuvas. “Quando o assunto for precipitação pluviométrica, aí é necessário ter mais cautela”, afirmou.
O meteorologista explica que o El Niño passa por quatro etapas: configuração, evolução, maturação e dissipação. A primeira fase ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, na região conhecida como Niño 3.4, permanecem pelo menos 0,5°C acima da média durante três meses consecutivos.
Após essa confirmação, o fenômeno começa a interferir no clima mundial, podendo provocar alterações em diferentes regiões, incluindo o Nordeste brasileiro.
De acordo com Rodrigo Cézar, a expectativa é de que este El Niño tenha duração menor, devido à influência da Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), que permanece negativa desde 2008. “A maior probabilidade é de termos um El Niño que dure menos de um ano”, explicou.
O consultor lembra que um evento semelhante ocorreu entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2024, quando o fenômeno apresentou duração inferior ao padrão, que normalmente varia entre 12 e 18 meses.
A principal dúvida agora, segundo o meteorologista, é a intensidade que o El Niño irá alcançar durante sua evolução. “Vamos ter aí um El Niño já configurado e atuando, influenciando o clima global já a partir do mês de julho. A maior incógnita ainda é saber a intensidade desse fenômeno”, concluiu.