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No Dia do Encanador, um grito contra o silêncio das profissões invisíveis

Espedito Filho celebra o profissional essencial e invisível.

Por: Airton Alves Fonte: Da Redação
27/09/2025 às 21h33
No Dia do Encanador, um grito contra o silêncio das profissões invisíveis
Arte visual - Patosverdade

Neste 27 de setembro, mais que homenagear, o professor e escritor Espedito Filho convida à reflexão: por que celebramos uns e esquecemos tantos outros? Em artigo contundente, ele ergue a voz em defesa do encanador — símbolo de todos os trabalhadores invisíveis que sustentam a sociedade, mas raramente recebem reconhecimento. Entre filosofia, crítica social e poesia, a homenagem transforma-se em manifesto, lembrando que por trás de cada torneira com água corrente existe uma vida de luta, dignidade e trabalho que merece ser celebrada.

Por Espedito Filho

Hoje é o Dia do Encanador.
 E não, não espere de mim apenas flores, parabéns e discursos protocolares.
 Hoje eu não quero aplaudir o óbvio, não quero cantar o coro daqueles que já têm microfones, altares e manchetes.

Quero, sim, atravessar o silêncio.
 Quero cutucar a ferida aberta da desigualdade, a mesma que Pierre Bourdieu nos ensinou a ver: a dança invisível dos capitais simbólicos, onde uns acumulam aplausos e prestígio, enquanto outros carregam nos ombros a estrutura de um mundo que nunca os celebra.

Quantas profissões árduas, difíceis, necessárias, não são lembradas?
 Sem santos, sem símbolos, sem prêmios, sem mídia.
 Enquanto alguns ganham capas de revistas e políticos distribuem “parabéns” aos gritos de seus palanques, o trabalhador que garante água na torneira, luz nos cabos, tijolo no chão, permanece esquecido.

É a mesma lógica que fez de Sansão, em “A Revolução dos Bichos”, um mártir anônimo: “Tenho que trabalhar. Tenho que trabalhar muito.”
 E morreu sem honras.
 Como tantos trabalhadores morrem hoje, com as mãos calejadas, sem o direito sequer de deixar um nome na história.

E como não lembrar da etnia negra, que construiu o Brasil?
 Braços que levantaram igrejas, ferrovias, portos, plantações.
 Braços que moldaram a riqueza de um país inteiro, mas que foram empurrados para as margens, acorrentados não apenas pelo aço, mas pelo preconceito que ainda persiste, sussurrando a cada esquina: “Vocês não merecem.”

Pois eu digo: merecem, sim!
 Merecem cada grito, cada aplauso, cada altar.

 Merecem mais que estátuas mortas de mármore e bronze.
 Merecem pão, respeito, salário digno, voz e poesia.

E é por isso que hoje, de peito aberto e em revolta, eu grito:

VIVA O ENCANADOR!
 Viva o trabalhador invisível, o carregador de mundos, o artesão do concreto, o construtor de vidas.

 Pois é no silêncio dos que não têm capital simbólico que repousa a verdadeira grandeza.

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