
A paisagem árida que toma conta da Barragem da Farinha, em Patos, expõe de forma contundente a gravidade da crise hídrica que atinge a região das Espinharas. As fotografias feitas pelo repórter fotográfico Aloísio Abrantes revelam um cenário dramático: a água recuou a níveis históricos, deixando vastas áreas de solo rachado onde antes havia espelho d’água e transformando o manancial em um corredor estreito cercado por terras secas.
De acordo com a AESA – Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba, o reservatório opera hoje com apenas 1,33% da capacidade total, armazenando 342.940 m³ dos mais de 25,7 milhões de m³ que comporta. A última medição, registrada nesta quarta-feira, 26 de novembro de 2025, confirma a pior fase do açude nos últimos anos.
A situação alarmante levou a Cagepa a implementar, desde 17 de novembro, um rígido esquema de racionamento que afeta Patos e outros municípios da região. O objetivo é prolongar ao máximo o abastecimento enquanto não ocorre recuperação significativa dos volumes.
A companhia alerta para o risco real de colapso caso as precipitações previstas para os próximos meses não sejam suficientes para elevar o nível da barragem. “O momento exige consciência coletiva e uso racional da água”, informa o órgão, reforçando que práticas como lavagem de calçadas, irrigação excessiva de jardins e desperdícios no consumo doméstico devem ser evitadas.
Além disso, a Cagepa orienta que a população denuncie irregularidades, como ligações clandestinas, desvios de água e vazamentos, que comprometem ainda mais a distribuição já limitada.
As imagens captadas por Aloísio Abrantes, que mostram a dramaticidade da redução do volume, ampliam a dimensão do problema e servem como alerta urgente para toda a região. O cenário desolador evidencia que, sem mudança climática favorável e sem colaboração da população, a água que resta poderá não ser suficiente para atravessar o período crítico.
O racionamento permanece por tempo indeterminado e poderá sofrer novos ajustes de acordo com a evolução dos reservatórios. Até lá, o apelo é único e necessário: consumir apenas o indispensável, para que Patos e a região das Espinharas possam enfrentar a crise sem que o abastecimento chegue ao colapso total.










