
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (4) a operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro, incluindo quatro policiais, e defendeu a participação de legistas da Polícia Federal na investigação.
Durante entrevista à Associated Press e à Reuters em Belém (PA), Lula afirmou que a ação, realizada nos complexos do Alemão e da Penha na última semana, resultou em uma “matança”. “A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não uma ordem de matança, e houve matança”, disse.
O presidente afirmou que o governo federal tenta viabilizar a participação da Polícia Federal na perícia sobre as mortes. “É importante verificar em que condições a operação se deu, porque até agora temos versões contadas apenas pela polícia e pelo governo do estado”, declarou.
A operação, considerada a mais letal da história do Rio, foi classificada como “um sucesso” pelo governador Cláudio Castro (PL), que está em Brasília para tratar do caso. Lula, no entanto, disse que o resultado foi “desastroso” do ponto de vista da ação do Estado.
O episódio mobilizou ministros do governo, como Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Anielle Franco (Igualdade Racial), que foram ao Rio após a operação.
O Supremo Tribunal Federal (STF) também acompanha o caso. O ministro Alexandre de Moraes determinou no domingo (2) que o governo fluminense preserve todas as provas e perícias relacionadas à operação, garantindo o acesso do Ministério Público e da Defensoria Pública.