
Caravanas de diversas regiões do país ocuparam, na manhã desta terça-feira (25), a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para a 2ª Marcha das Mulheres Negras, que teve como tema “Por Reparação e Bem Viver”. A organização estimou participação de até 1 milhão de pessoas.
O ato, promovido pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, colocou em pauta reivindicações por moradia, emprego, segurança e políticas que garantem dignidade, justiça e combate à violência. A mobilização integrou a Semana por Reparação e Bem-Viver, iniciada no dia 20, com debates, atividades culturais e ações que destacaram o protagonismo das mulheres negras no Brasil.
A segunda marcha ocorreu dez anos após a primeira edição, realizada em 2015, quando mais de 100 mil mulheres percorreram Brasília para denunciar racismo, feminicídio, violência doméstica e desigualdades estruturais.
A programação começou às 9h, com concentração no Museu da República e atividades como roda de capoeira e cortejo de berimbaus. Às 11h, teve início o deslocamento das participantes pela Esplanada. No período da tarde, apresentações musicais de artistas engajadas no movimento encerraram o evento.
Nesta edição, a marcha também ganhou caráter internacional, reunindo lideranças da América Latina, Caribe e diáspora africana em uma articulação global contra racismo, colonialismo e patriarcado.
Entre as presenças confirmadas esteve Melina de Lima, neta da antropóloga e referência do feminismo negro Lélia Gonzalez, recentemente homenageada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Brasília.
As mulheres e meninas negras continuam sendo o maior grupo populacional do país, totalizando mais de 60 milhões de pessoas, segundo o Ministério da Igualdade Racial — cerca de 28% da população brasileira.